domingo, março 31, 2013

Nunca escrevi cartas de amor


Veio a pergunta uma noite,
rodeada de sins,
eram todos iguais,
menos a mim...

E eu pensei e tentei
responder sim também,
só depois acordei
e não era assim...

Então olhei o tempo,
e a mim não me via,
em nenhum momento
como deveria...

E pensei de repente,
que por ser diferente
em mim podia haver
um vazio qualquer

Eu que escrevia o tempo,
o alento e a dor,
o pó das estrelas,
as formas do amor

Eu que sentia o vento
a trazer a canção,
que ouvia o som das letras
a escorrer pela mão

O meu eu que dançava
num pátio sem fim,
das cores que misturava
cá dentro de mim...

Nem no meio do ardor,
nem na divagação,
se me ergueu a mão,
ou o meu punho cerrou

Nunca a inspiração
pelo lápis chamou,
nem o papel se moveu
para uma carta de amor...
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