segunda-feira, agosto 20, 2012

A Felicidade Padronizada



Após a festa de aniversário de um amigo de há muitos anos, juntei várias observações feitas ao longo do tempo, em diferentes grupos, em diferentes cenários, e cheguei à conclusão de que somos forçados a ser padronizadamente "felizes".

Para mim, é um conceito análogo a um programa que nos é instalado nos primeiros anos de vida e, mesmo que façamos a desinstalação do mesmo, restam sempre alguns ficheiros, dos quais nem nos damos conta, mas que nos continuam armazenados no disco e se resistem a qualquer desfragmentação, ou restauro do sistema. Sendo que o nosso disco só se formata se sofrermos algum ataque irreversível de amnésia.

Esse padrão de felicidade é-nos tão cruel e ignorantemente incutido, da mesma forma que são furadas as orelhas a sangue frio, a bebés que nem têm total consciência de si, muito menos de para que servem os brincos. É algo que se prende com o querer ter, e com o mostrar que se tem, aquilo que é socialmente estipulado como objectivo de vida, cujos tempos limite são também estipulados de antemão. É irónico como vemos a crueldade e a ignorância passarem por nós de mãos dadas, vezes sem conta ao longo da vida, e não conseguimos tomar uma atitude.

Começando pela relação estável na idade adulta - é um objectivo tão freneticamente almejado, que todos nós conhecemos pessoas com corações maravilhosos, que tão cegamente se violentam, ao ponto de cometerem a insanidade de trilhar aqueles campos minados a que chamam relações, sem conseguirem discernir o amor e o companheirismo no meio de tantos "objectos explosivos"como as obsessões, o ciúme, a falta de respeito, entre outros... Na verdade as relações estáveis até existem, mas acontecem naturalmente, como consequência da maturidade, do afecto e respeito mútuo e da confluência de ideais, que se podem tornar objectivos comuns. Os casais unidos pelo amor contagiam com bem estar e alegria todos os que estão à sua volta, por isso são tão solicitados. Os casais unidos pelo comodismo, ou pela insegurança de estarem sós, também contagiam o ambiente, mas com hostilidade e constrangimento, conduzindo os amigos sempre aos mesmos comentários paralelos, sobre a eminência de mais uma discussão ou situação desagradável entre o casal, e consequente falhanço do encontro do grupo.

Claro que todos passamos por relações que não têm futuro, pois é da experiência que se faz o conhecimento. Agora adiar o inadiável é um fardo pesado e desnecessário, quando sabemos de antemão que o tempo não volta atrás. Em casos extremos, há inclusive filhos que assumem a culpa da infelicidade dos pais, pois estes justificam a sua falta de coragem para tomar uma decisão com o bem estar dos seus rebentos, que crescem em ambientes de discórdia e ficam os seus padrões de relacionamento completamente alienados.

Passando para o emprego bem sucedido, o grau de sucesso tem vários pesos e medidas consoante as necessidades realização pessoal do indivíduo. Há pouca gente que tem a sorte de ser remunerada por fazer aquilo que gosta, eu considero que essas pessoas são uma inspiração e uma prova de que isso de facto é possível. Mas o que é padrão na sociedade é ter-se um emprego bem remunerado e que dê estatuto, pois vivemos numa economia de consumo e imagem, em que a nossa liberdade individual é limitada pela liberalização dos mercados. Não andamos cá para fazer o que gostamos, mas sim parar alimentar este modelo económico obsoleto, literalmente a rebentar pelas costuras. Por isso, forçar os assuntos profissionais em ambiente não profissional, nem sempre é a melhor opção. Primeiro, devido aos inatos juízos de valor que surgem sobre o que se considera ser realização profissional. Em segundo, devido à falta de capacidade que profissionais de áreas diferentes têm, para atribuir valor e demonstrar interesse por áreas que desconhecem, levando-os a uma picardia de (des)conhecimentos e comprometendo o bom ambiente do grupo, quando não os leva a criar aglomerados de profissionais de áreas afins, criando verdadeiros núcleos anti-sociais, quando  ocasião pede exactamente o oposto.

Considero então que estes sejam os dois principais itens da felicidade padronizada, pois a partir de relações insatisfeitas e de empregos estáveis,  com remuneração segura, constroem-se núcleos familiares economicamente viáveis e suficientemente insatisfeitos para procurarem o escape às suas frustrações nas ofertas do mercado e para instigarem ao mesmo padrão de comportamento os grupos em que se inserem, na ilusão de que são felizes e que contribuem para a felicidade dos amigos.

Na realidade, quem encontra a verdadeira felicidade não tem tantos instintos consumistas como quem está infeliz. Fiquemo-nos então pela ponta do iceberg, pois este assunto dará certamente tema para teses académicas, pelo que é mais correcto deixá-lo para os especialistas :)

quinta-feira, julho 12, 2012

As palavras que acabei por escrever...





Sei que pensas que o meu afecto desvaneceu e que até eu própria desvaneci por entre a distância e os meandros do tempo.

Mas é muito mais do que isso...

Apesar de parecer perdida, vou-me encontrando cada vez mais e, o meu afecto fugidio e indefinido, tornou-se numa enraizada amizade, tão transparente que te pode até parecer invisível.

E apesar da tua imparcialidade quando as palavras alheias me atacam, tens tido sem saberes, a minha lealdade e em mim um escudo contra qualquer palavra afiada com que te tentam apunhalar pelas costas.

Eu estou presente, apenas sou subtil. Se estiveres bem, eu estou bem.

Não sou fonte de nenhuma desilusão. Se existir alguma, é por ventura fruto de alguma falta de clareza.

terça-feira, abril 10, 2012






















perco-me no presente e esqueço-me de mim,
tento fazer parte do todo, apesar de me sentir à parte.
desconheço se sou feliz, mas sinto-me bem assim.
há uma certa leveza na distancia do passado
e uma saltitante ansiedade na incerteza do futuro...

quarta-feira, fevereiro 08, 2012




a tua chama não arderá mais
se a minha chama se apagar
e se chamássemos mais chamas,
juntos incineraríamos o mundo.

terça-feira, janeiro 10, 2012



el mundo se hace pequeño cuando sueño,
pero si despierto,
luego me terroriza su grandeza...

segunda-feira, janeiro 09, 2012

zona de conforto...



a zona de conforto é a maior prisão

uma muralha de não acção
uma ilusão de segurança
um golpe profundo
um beco sem saída
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