quarta-feira, novembro 30, 2011

Aprendizagens 4

Aquilo que somos não se limita ao ângulo de visão daqueles que nos vêem. Somos tão pequenos, que só alguns poucos nos reconhecem e, ao mesmo tempo tão grandes, que nem nós próprios nos conhecemos por inteiro.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Coração

O meu coração respira
Mas falta-lhe a inpiração
Pudera sera mais seguro
Mais duro, talvez... mas assim
já não seria coração.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Aprendizagem 3




As nossas turbulentas vidas parecem nunca passar do mesmo e, quando passam, mais cedo ou mais tarde voltam ao mesmo ciclo vicioso, em que o amanhã é igual a ontém, e hoje, apesar de nos passar tudo pela cabeça, não nos ocorre a fórmula milagrosa para quebrar a corrente.



É assim, não é?

Tem de ser sempre assim?

Se gostarmos, até pode ser que assim seja todos os dias, mas isso não implica que tenha de ser assim sempre .



Para começar, temos de dar conta do nosso pior inimigo, nós próprios ou, para os mais meticulosos, o nosso ego. Partindo de que somos literalmente aquilo que comemos, é urgente analisarmos aquilo com que alimentamos o ego: Se aparecer autopiedade na ementa, corte esse prato imediatamente! Autopiedade é um veneno que, para além de não ajudar, só atrapalha... e não é o único. Se na ementa aparecerem também, rancor, inveja, ou ódio por aqueles que têm aquilo que não coseguimos obter, é melhor cortar com esses pratos também, pois são como a gordurinha abdominal, depois de entranhada, demora a saír, pesa, faz volume e não resolve nada. Depois também há os alimentos como a insegurança, a ansiedade, a trizteza, entre outros, que provocam reacções depressivas e que nunca ajudaram ninguém, por isso, corte-os também.



Em seguida é necessário escolher para onde direccionar o foco, o que também pode ser problemático, mas talvez seja mais simples depois de desmistificados algumas espécies de "dogmas":


- Na verdade, ao contrário do que se diz, quem experiência tudo não é feliz, está perdido...


- Quem tem tudo por fora, a maior parte das vezes está vazio por dentro. Isto porque as coisas têm o valor daquilo que abdicamos por elas. Ao não abdicamos de nada, não relativizamos, nem compreendemos o valor do que possuímos. Isso torna a existência pobre, isto é, torna-nos pobres por dentro.


- O caminho mais fácil leva-nos a qualquer lado, mas raramente à realização dos nossos objectivos.


Trocando por miúdos, quando realmente se querem atingir objectivos, ou solucionar problemas, não é possível fazê-lo quando se têm dez, ou mais alvos em mente. Há que escolher apenas algumas das opções em deterimento de outras que se nos deparam e traçar um plano de acção. A vida preenchida resulta de escolhas, uma vida vazia, é a vida de quem nunca escolheu. Por fim, é fulcral direccionar o foco para a solução ou objectivo, em vez de o concentrar no problema, pois isso leva à sua não concretização.


Mas como não pensar nos problemas, se eles existem?


Na verdade, se nos focarmos nos problemas, apenas alimentamos o estado depressivo de não o resolver e isso, nao resolve nada. Se nos focarmos em encontrar uma solução, ou atingir um objectivo, podemos contornar essa tendência para o insucesso, convivendo com o seu oposto, utilzando técnicas, estratégias e mentalizações direccionadas para o sucesso. Isso implica passar por cima de hábitos instituídos e por condicionamentos que levam ao fracasso, substituindo-os por outros que orientam para a vitória.

terça-feira, agosto 30, 2011

sonhos e sombras



desculpa,

desculpem.

não consigo.



enquanto existir

este hiato de vida,

não existo eu.



eu forço-me a saír

desta bolha de espaço-tempo,

deste universo paralelo,

mas não sou eu quem sai,

são sonhos e sombras de mim.



eu...

espero com todo o meu eu

conseguir existir.


desculpa,

desculpem.

não consigo.


não sei onde nem quando vou existir.

quarta-feira, agosto 24, 2011



não comento coincidências da vida

apenas me alegro com elas, afinal

a cavalo dado não se olha o dente

e, o de repente, nunca é intemporal.



se não fixar o momento, ele prossegue

dura apenas um instante e desvanece


perde-se o tempo e a palavra no comentar

mas o momento que se fixa não se esquece.

sexta-feira, agosto 05, 2011

aparento um ar sereno, disseram-me
mas cá por dentro, perdi o norte
então, sorrio

quarta-feira, julho 27, 2011



little heart don't you go there,

step aside, it's dark.



little heart it's not dream like,

it's real life, it's hard.



little heart in your dreams,

it's perfect, it touches.



but little heart in real life,

it's selfish, it hurts.

domingo, julho 24, 2011

Naquele ponto de falta de sentido de vida, em que algumas partes de nós desistem de viver, enquanto outras não se vergam perante a morte, lutando institivamente, com todas as células eucariontes que querem viver até ao último suspiro, parece que o déjà vu é algo que faz sentido e que o tempo é uma mera invenção do Homo sapiens.


Nós não somos uma coisa só, somos um amontoado delas. Não admira que tenhamos tantas dúvidas. Se fossemos uma coisa só, agiríamos de forma coerente, em uníssono conosco próprios, e não desta forma destrambelhada, desorganizada, em que expressamos, ao mesmo tempo, a mesma coisa e o seu oposto.


Entrei na sala e caminhei até à cama do fundo, com dúvidas sobre o que iria ver. A última vez que o vira fora igual a todas as outras, os beijos de respeito e de conformismo com a vida, as palavras poucas de quem já viu muito e se depara com a visão da solidão. Desta vez foi diferente, só algumas parte dele estavam efectivamente lá, as outras até estavam, mas tinham cessado funções.


Coloquei-lhe uma mão no peito, sobre o coração, acariciei-lhe a testa com a outra mão e fixei-lhe os olhos. Ele estava lá, fixou-me. Reconheceu-me. Falou-me com os olhos, porque nada mais no corpo dele almejava falar. Estava agitado, estava revoltado por estar onde não queria, sózinho. Olhava em redor com um certo despeito e voltava a fixar-me com a vivacidade de quem não sabia onde estava, mas sabia que não queria estar ali. Falei com ele e acalmei-o. Falei-lhe nas visitas que ainda iria ter, na paciência e força que teria de ter até poder voltar para casa. Falei-lhe de tal forma que até a mim me convenci.


Quando lhe disse que tinha de me ir embora, ele entendeu. Olhou-me com uma ponta de desilusão e desviou o olhar. Voltou a olhar em seu redor, da forma que podia, e a fixar a solidão. Eu fui, convencida de que o pior teria passado e, que com o passar do tempo, a pouco e pouco, iriam haver progressos. Ma o amontoado de partes que o formavam estavam cansadas de esperar e, com o passar do tempo, todas elas decidiram cessar funções. Não as critico.

quarta-feira, julho 20, 2011



quantos mundos cabem

no mesmo espaço-tempo?

quantas ironias numa vida?

quantos anos num momento?

terça-feira, julho 05, 2011

O Movimento ou a sua ausência



Tenho o movimento parado,

nem se apressa, nem sai de fininho,

bloqueou.



Tão pouco se acalma,

de tão parado a tensão aumenta,

deveria desfrutar as águas paradas,

já que estagnou, mas...



Todavia é impossível,

as catartas de ideias esgueiram-se no precipício,

um turbilhão de impulsos teima em dar o passo em frente e...

os pensamentos perdem-se e os gestos são tímidos,

tudo está frouxo e nada sai do lugar.



Tudo é espera,

tudo é um encadear de planos sem mapa, nem ponto de partida,

enquanto não se sabe viver a espera, vive-se o desassossego,

porque ela corrói tal amante inseguro que teme passar despercebido

e o que deveria ser lazer torna-se tédio e o tédio transforma-se em medo...

em medo de parar, porque só conhece o movimento.

sexta-feira, junho 24, 2011

Aprendizagem 2




O perdão é incompreensível




até ao dia em que faz sentido




por mais cliché que pareça




o viver é mais leve e doce

terça-feira, junho 21, 2011

Aprendizagens - 1



O orgulho é um impulso, mas também é uma defesa, creio que talvez venha do medo. Ser humilde é ter domínio sobre o orgulho, mas é totalmente diferente de não ter amor próprio...






... Ainda estou em aprendizagem :)

sexta-feira, junho 03, 2011

Aprendizagens - 0




Das trocas de ideias rapidamente se passa à troca de experiências e nem sempre é fácil colocar em causa, sem se ser mal interpretado, alguns cânones que não são mais do que a globalizaçao de experiências individuais, que construíram o caminho da evolução de mestres actuais e ancestrais, os quais merecem todo o respeito e gratidão. Um mestre é mestre num caminho, no seu caminho, no qual é pioneiro e construtor. Um mestre aconselha, guia, ensina e muitas vezes preocupa-se em sistematizar as suas experiências, de forma a deixar um legado que possa chegar mais longe no espaço e no tempo, àqueles que estão perdidos na busca do seu próprio caminho.



O problema de trocar ideias sobre caminhos, é quando se impõe um caminho como verdade absoluta. É quando pessoas menos experientes se apropriam das experiências dos mestres que seguem e as tornam dogmáticas. Um mestre ensina, aconselha, guia, mas nunca diz "não sigas o teu caminho, segue o meu". Tendo em conta que tudo aquilo que é pressupõe a existência do seu oposto, pressuposto este que suporta o conceito de relatividade, dizer tal coisa seria admitir que o seu oposto também fosse verdade, isto é, seria equivalente a dizer "não cometas os teus erros, comete os meus". Fácil será de concluír que assim dificilmente se aprende alguma coisa. Tal conduta não cabe na definição de mestre, mas sim na definição do seu oposto - ignorante. Um mestre é mestre no seu caminho, é construtor, é pioneiro, é sábio. Ele utiliza a sua mestria para orientar e aconselhar os outros, não impõe o seu caminho, simplesmente não pode ensinar outra mestria que não a sua. Um mestre é um mediador de conhecimento, não um obstáculo a este.



Foi exactamente por ter experienciado vezes sem conta essa dificuldade de diálogo face a dogmas existentes e porque, por extrapolação de experiências, estar certa de que me depararei ainda com vários outros dogmas que possam surgir, que criei esta nova etiqueta - Aprendizagens - para que possa exteriorizar o que retiro das minhas experiências, sem contrariar ou decepcionar os modelos mentais de quem tem sede de verdades absolutas. É exactamente por isso que se chama aprendizagens, trata-se de experiências e não de ensinamentos, nem de verdades absolutas. Afinal, eu sou apenas uma parte infinitamente pequena deste pálido ponto azul, como posso eu ter noção da verdade absoluta?

domingo, maio 29, 2011

death



Sometimes death says

through obscure ways

i did it again



Awkward games it plays

tricky images it lays

it does not rest...

quarta-feira, maio 04, 2011



Um dia terei asas,

quentes como o fogo,
livres como o ar,
suaves como a pele.

sexta-feira, abril 22, 2011

Ponto Sem Retorno



As vezes posso não parecer aquilo que sou, mas acho que isso se resume a não aparentar a imagem que têm de mim, ou a não corresponder todos os dias ao mesmo estado de espírito com que sou catalogada. Principalmente quando ando na rua de chinelo no pé, roupa de treino e sem maquilhagem o que, em termos de opinião alheia é quase o equivalente a entrar em depressão profunda.


Por razões profissionais passei do 8 a 80 em pouco tempo: deixei de me maquilhar, para andar de carinha ao léu, deixei de usar cores vivas, para abusar do preto e deixei de viver a 100km/hora para viver de vagar, de vagarinho. Resultado, faz-me confusão ver-me maquilhada, mas estou rodeada por quem não sai à rua sem maquilhagem, sou demasiado casual em ambientes em que a imagem marca a diferença, estou a recomeçar a combinar cores e padrões e os horários rígidos passaram a ser uma linguagem estranha, desde que deixei de contar minutos e tive de me habituar a parar no tempo.


Não sei para que lado me hei-de virar, mas estou piamente à espera do ponto de viragem. Correr atrás dele já não me realiza. Já o fiz, já me concretizei, mas agora, não é nada que me surpreenda. O que tiver de ser e o que eu tiver de ser, terá de ser aqui.

quarta-feira, abril 13, 2011

O Beijo


o beijo perfeito é um sonho

e a perfeição

um limite infinito


só o sonho não tem limite


diz que tendemos para a perfeição

mas que só a atingimos em sonhos


eu gosto do beijo que fala calado

e que não tem pressa


a pressa é inimiga da perfeição


tenho pena do beijo vazio

de certo nunca sonhou

sexta-feira, abril 08, 2011

Marias


Maria Mar foi p'ra sopeira

por não saber falar de cor

soube que o pai a achava feia

e que não agradava o senhor


Maria Preta sonhava um dia

fugir dali com o seu amor

ele não arriscava e não queria

tentar uma vida melhor


Maria Rita ceifeira

ceifava com sangue e suor

ela queria ser cantadeira

como as moças do televisor


Maria Zé que não comia

p'ra caber no fato melhor

ela era infeliz e não via

que a beleza não está na dor

segunda-feira, março 21, 2011

Não Procuro, Encontro


Não procuro, isso é invasivo.

Divago, por vezes, mas não sigo,

não por sentir indiferença, mas

apenas por falta de sentido.


Encontro, o que quer ser encontrado,

sem forçar, ou rasgar, ou invadir.

A beleza está na liberdade...

Procuro contemplar o que encontro.

quarta-feira, março 16, 2011

não me consigo explicar por palavras
principalmente quando não me entendo
os meus olhos gostam de saltar os dias
gostam de percorrer rios, serras e sorrir
ao vento que passa sem se deixar ver

quarta-feira, março 02, 2011

O que achas, tu que lês?


Não sei se também o sentes, tu que lês, mas eu sinto pronúncios de transformação. É provável que também o sintas, qualquer observador atento sentirá o mesmo, creio. Não queria falar já em mudança, é precipitado, mas que algo está a ganhar forma dentro dos demais indivíduos como nós, isso parece-me evidente.

Aqui estamos nós, cada vez mais vítimas, pois não nos vale a pena alheia. Apenas nos enterramos, cada vez mais, nos escombros daquilo que pensávamos ter construído bem, mas que se desmorona devido a graves erros de fundação. Estamos naquele ponto crítico em que, ou nos deixamos engolir pelos destroços de uma obra mal executada, ou tentamos removê-los e nos empenhamos em construír algo que dure, que não se deixe abalar e que não nos volte a caír em cima no futuro.

O que eu espero para o futuro? Que se transforme a vitimização em vontade, que a vontade ganhe forma e que nunca mais nos esqueçamos disso, para que não tenhamos de voltar a trás, para o voltar a aprender.

domingo, fevereiro 20, 2011

a dúvida


a dúvida é a fonte das descobertas

a certeza é uma faca de dois gumes

a curiosidade é o alento da alma

o sonho é o escravo do coração

domingo, fevereiro 06, 2011

advice...


don't you look at me

you have your own way

i sail nowhere now

you'd be wise to stay


if i had your life

i wouldn't ask for more

you're being too naive

what're you looking for?

terça-feira, fevereiro 01, 2011


I am here to be myself,

let me be.


I don't believe you.

I don't need your ways,

nor believe your god,

or want you in between.


I do not aim to lead anyone,

though,

if being me may be inspiring,

let it be!

terça-feira, janeiro 04, 2011

Canto


Canto baixinho, em tom de sussurro,
quando me sinto sem norte, canto...
...baixinho, para chamar a calma.

A calma vem e eu vou... divago,
levanto um tanto a voz e oiço-me
enquanto revejo cenários...

Revejo os cenários impossíveis
já que os possíveis são traiçoeiros...
... a possibilidade é um engano.

As possibilidades são imensas,
como o azul profundo do oceano,
o amanhã é só uma verdade...
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