domingo, novembro 28, 2010

Democracia - A Miséria Está nas Nossas Mãos


A Democracia, por definição, é um regime que o poder está nas mãos dos cidadãos. Como no Universo nada é linear, a democracia também não é excepção, daí termos várias variantes. Em traços muito gerais, podem-se dividir estas variantes todas em dois grandes grupos: a Democracia directa, Democracia no sentido lato; e a Democracia representativa, uma Democracia confortável, em que os cidadãos elegem alguém que tome decisões por si. Para que os cidadãos possam decidir, ou decidir a quem atribuem o seu poder de decisão, são necessários votos. No que concerne ao voto, essa pedra angular da Democracia, enquanto nalguns países é um direito, noutros, é um dever.

Na República Portuguesa vive-se uma Democracia representativa, mais exactamente, uma Democracia parlamentarista, partidária, em que o voto é um direito. O curioso é que após um extenso historial de demandas pelo fim das injustiças e das desigualdades, por direitos e pela liberdade, é inferior a 50% a percentagem de cidadãos que efectivamente exerce o seu direito de voto em Portugal. Os cidadãos devem recensear-se a partir dos 18 anos, mas são poucos os que realmente o fazem. Dos cidadãos recenseados, são poucos os que vão às urnas.

Apesar de isto ser uma análise muito básica e simplista, creio que seja este o Calcanhar de Aquiles da nossa Democracia. Não funciona porque a sua essência praticamente não existe, os cidadãos desresponsabilizam-se do poder que têm nas mãos. A liberdade tem destas coisas, implica responsabilidade - e, como diz um amigo meu - «ó que coisa chata»...

Eu poderia terminar este artigo após esta introdução, este desenvolvimento e esta conclusão, pois estender-me mais poderá ser massador para quem optou por lê-lo. De qualquer forma e, uma vez que quem lê é livre, deixo o poder de decisão de continuar a ler este artigo nas mãos do leitor e opto por continuá-lo, com ou sem a sua companhia.

No seguimento do referido acima, urge perguntar - mas afinal, porque é que os cidadãos não votam? Para não me colocar acima de ninguém, começo por mim, que não votei nem nas legislativas, nem nas autárquicas em 2009, pois foi exactamente nessa altura que mudei de residência e era muito cedo para me deixarem votar por antecipação na zona de residência antiga, ao mesmo tempo que era tarde de mais para ter direito a voto na nova zona de residência. Para além disso, o voto por correspondência era só para os emigrantes. Ainda descobri na internet que haviam testes para possiveis sistemas de votação electrónica, ou de votação em mobilidade, em papel, mas pelo que aferi, não eram até à data exequíveis por uma panóplia de motivos. De qualquer forma, creio que a maioria das razões de não voto sejam diferentes das minhas.

Quando questiono as pessoas acerca de exercerem ou não o seu poder de voto, as que não votam apontam-me vários motivos, os quais agrupei segundo um conjunto de três categorias, às quais chamo o 3D da abstenção:
- Desinteresse - o cidadão não se identifica com a política, não quer fazer parte dela e não quer que ela faça parte da sua vida;
- Desilusão - o cidadão perdeu a esperança, considera que os políticos são todos uns grandes bandidos, que todos os partidos são iguais e que só querem chegar ao poder, para encherem os seus bolsos e os dos seus amigos;
- Desconhecimento - o cidadão não percebe nada de política, nem de partidos políticos, daí ver-se impotente para tomar qualquer decisão que seja.

Mediante estes factos, ouso dizer que é necessário fazer algo para mudar esta situação e salvar estes cidadãos destes estados de espírito negativos e depressivos. Assim, apelo a todos que tentem compreender e motivar os vossos amigos a exercerem o direito de voto em todas as eleições! Façam-no como entenderem melhor, as próximas eleições são as Presidenciais de 2011, pelo que podem começar já a praticar:
- Aos desinteressados - digam-lhes que não é uma questão de interesse, é uma questão de cidadania e de viver em sociedade, se não querem saber nada disto, então não desfrutem da vida em sociedade, isolem-se e vão viver para o meio do mato, que também é interessante!
- Aos desiludidos - antes de mais, digam-lhes para tentarem não criar muitas ilusões, claro que seria excelente haver alguém que abdicasse da sua vida, dos seus sonhos, objectivos e interesses para viver apenas em função de nós próprios e do nosso bem estar, mas a essas pessoas, salvo raras excepções, chamamos Mãe, e mães cada vez há menos, é muito complicado ser-se mãe, as mães hoje em dia optam muitas vezes por não o ser, para não perderem o emprego, algumas mães até são despedidas por cidadãos que não votam, vejam lá... De qualquer modo, para além das mães, ainda há políticos que não são corruptos e que estão há espera de que votem neles, para poderem mostrar aquilo que valem.
- Aos que desconhecem - digam-lhes que o saber não ocupa lugar, ofereçam-lhes dicionários, jornais, rádios, TV's, acesso à internet, tudo o que eles precisam é saber ler e ouvir, coisa que, com o devido respeito às pessoas com impedimentos físicos e não alfabetizadas, são acessíveis a qualquer um.

Para maiores esclarecimentos, aqui fica o endereço do Portal do Eleitor: http://www.portaldoeleitor.pt/

domingo, novembro 14, 2010

O que faz mover as mulheres?
Se houvesse resposta simples...

Diz por sinal que é o coração,
Mas quantas o não têm de todo?

Diz que as movem os sentimentos.
Eu vejo-os, mas tão obscuros...

Pensei que fossem passaros,
Mas poucas experimentam voar...

Comparam-nas à Natureza,
mas tornaram-se artificiais.

Deviam brilhar como estrelas,
Mas muitas são a escuridão.

Magoam-me algumas mulheres,
Mas ainda há aquelas que curam.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Escape


Tonight,

ran away tonight

hid myself from light

escaped from event


Tonight,

sang my soul inside

danced my moves tonight

left before it ended...

domingo, novembro 07, 2010

O Eixo


Na vida, parecemos rodar em torno de um eixo.

É impressionante, quando o olhamos de soslaio,

sem motivo, ao fim de tantas voltas estonteantes,

e nos invade aquela certeira e subtil sensação,

de que a ultima vez não é nunca a vez derradeira...

terça-feira, novembro 02, 2010

A primeira e a última vez...


Não há memórias mais bonitas do que aquelas que ficam das primeiras e últimas imagens que guardamos de algo, ou de alguém. A primeira é efusivamente repleta de entusiasmo, a última é intensamente coberta de saudade. A primeira corta-nos a respiração, enquanto a última nos deixa o coração apertado.
Um dia vou abrir os olhos e vou olhar para tudo e para todos, todos os dias, como se fossem a primeira e a última vez...
Partilhar