sexta-feira, outubro 29, 2010

Relações e ralações...


Há alguns dias estive para ser brusca com um amigo... não o fui, mas não foi por isso que a vontade se dissipou totalmente, daí eu ter decidido pôr um ponto final na situação, transformando impulsos em letras e despejando-as todas aqui...
Ele não é bem meu amigo, não consegue, creio. Eu sou ainda amiga dele, mas isso não é esforço, é um traço da minha personalidade, creio eu. As amizades entre homens e mulheres são difíceis de cimentar.
Por entre uma conversa sobre a vida alheia, eu digo-lhe algo que ele interpreta de forma diferente e que o leva a questionar-me acerca de eu ter um namorado. Eu respondo-lhe que não, na brincadeira digo-lhe que estou a viver um "retiro espiritual" e deixo escapar que tive apenas um amor de Verão. Ele questiona-me, em tom de admiração, sobre como é que eu aguento, uma vez que o Verão já lá vai há um bom tempo. Eu levo a conversa para a brincadeira e peço-lhe que imagine que é uma mulher e que olhe à sua volta. Uma vez que viémos ambos de outras paragens e vivemos no mesmo local, um sítio pequeno e de mentalidade dominante questionável, foi a forma que na altura encontrei para lhe dar a compreender a minha opção. Embora ele, na sua imensa masculinidade, tenha retorquido que esse exercício seria para ele impossível e, dessa volta, tenha voltado a insistir em acentuar como não conseguia compreender a minha solitude, como se de uma coitada eu me tratásse.
Ora é a partir destas pequenas coisas que eu classifico as pessoas como sendo ou não minhas amigas. A pessoa que insistia em apontar-me o dedo é, na verdade, alguém declaradamente insatisfeito com a vida que tem, com uma relação com uma mullher que já não ama, apenas suporta, mas a quem se prende por questões familiares, profissionais e financeiras, que criou raízes num local ao qual também já não se apega, mas onde tem de permanecer por força de outras razões... e mais não acrescento à descrição da personagem, pois não vale a pena preencher mais o quadro...
O que me magou e me fez surgir a vontade de imediatamente o confrontar, impulso esse que controlei, foi a forma como ele se evidênciou e se elevou ao tentar-me diminuir-me, fazendo-me parecer um ser estranho, que optou por um caminho sociavelmente incompreensível.
Controlei o impulso, pois conheço suficientemente essa pessoa para concluir que a magoaria muitas vezes mais do que ela a mim, se realmente lhe fizesse ver a sua imagem "no espelho". Como dizia Gandhi, «olho por olho, e o mundo acabará cego».
Não me esforço para falar com ele desde então e acho que nos próximos tempos não vou ter vontade de o fazer... Não estou zangada, estou apenas com a sensação de estar a preocupar-me com alguém que não vale a pena o esforço. Não considero de forma alguma que ele tenha culpa disso, pois dar-lhe atenção foi opção minha, estou apenas com a sensação de estar a perder tempo. Se eu tivesse ficado no meu canto, isto não teria acontecido e eu não teria nada para lamentar...
Utilizando uma expressão de outro moço que conheço, posso classificar a minha conclusão desta situação como "saber de experiência feito", pois não creio que volte a dar espaço para algo do género voltar a acontecer. Por fim, utilizando um expressão minha, "errar é humano, repetir o erro é burrice" e eu ainda me tenho em alguma conta ;)

segunda-feira, outubro 25, 2010

Um daqueles dias...


Hoje é um daqueles dias em que conto as páginas que faltam para encerrar mais um capítulo. Faltam poucas.

Vejo-me porém embrulhada nelas, são as que faltam, as decisivas, todas as outras foram desfolhadas de ânimo leve, com curiosidade, com entrega ao que tem de ser, ao sabor da corrente... Mas estas últimas não, estas são as decisivas, as determinantes, as que deixam transparecer um desfecho único, por entre os desfechos possíveis e deduzíveis. São aquelas que quero ler atentamente, mesmo nas entrelinhas - nessas principalmente - para ter certeza absoluta de que não vale a pena voltar atrás, pois já não há volta desta vez; eu não costumo voltar atrás, voltar atrás é quase sempre um desalento.

Tudo toma outras proporções nestas últimas páginas, nunca se inicia devidamente um novo capítulo quando o anterior não foi devidamente interiorizado, a ausência disso abre espaço para dúvidas e hesitações desnecessárias... deixa-nos sempre com um «e se...» a ressoar cá por dentro, quando não há uma boa compreensão da experiência.

Eu tenho uma necessidade muito grande de que esta experiência fique bem cimentada, pois preciso disso para fechar o ciclo. Foi daqui que eu parti com as aspirações e ferramentas que me fizeram cá voltar a custo de uma ironia do destino, do devir, de uma lei desconhecida do Universo, ou sabe-se lá do quê. É aqui o meu porto de abrigo, onde eu me renovo, me redescubro e me revigoro. É aqui que eu largo tudo, que eu me dispo, me desprendo e me desligo, para poder partir mais leve.

É aqui, onde o mar se perde no horizonte, o chão treme e a Terra nasce, que eu me reencontro, me agito e renasço também.
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