sábado, janeiro 10, 2009

Crónicas Madrilenas - Episódio 1: O Fundamento

Para as Meninas: Joy Division - Love Will Tear Us Apart

Esta é para recordar a despedida, numa fridaynight memorável em que o Bad Room tinha boa música. Isto normalmente só acontece ao sábado mas, por artes mágicas, uma DJ Sofia (not me) caíu do céu na 6ª feira e o som foi um espetáculo.
Foi uma excelente despedida às três pancadas, lamentavelmente a nossa 4ª elementa estava doente, daí não ter sido perfeita. Após um riacho de filosofia sobre as ironias da vida, resoluções de ano novo e muita risota, eu e as minhas companheiras da terapia boémia, deixámos o nosso consultório no Favela Chic, para irmos libertar as energias para a disco da rua de baixo, embora sabendo que normalmente o som não é grande coisa à 6ª feira. Mas enfim, era a minha última noite de terapia boémia conjunta em Portugal e o espírito era : «se tem de ser 6ªfeira, que seja!»
Qual o nosso espanto quando chegamos ao local do crime e... aterramos numa sonoridade muito rock-alternativa (reparem que acabei de inventar um adjectivo), pelo que ficámos novamente com aquela sensação de que as ironias da vida não param de nos surpreender, mas porém, não nos perdemos novamente em filosofias e aproveitámos o momento. Creio que a música que ilustra o post, uma das muitas que dançámos, tenha sido a que melhor terá ilustrado o ambiente fatalista e pseudo-filosófico dessa derradeira noite.
Ora foi nesta derradeira noite, que aquelas elementas me coagiram (para não dizer que me exigiram ou obrigaram) a fazer um diário no blog sobre a minha estadia em Madrid.
Um diário sempre foi um daqueles objectivos q eu admirei e respeitei desde criança, mas que nunca foi um objectivo meu, pois cedo percebi que não tinha feitio para escrever diários, uma vez que era capaz de escrever nos primeiros dias, mas depois esquecia-me e, quando queria escrever, já nem me lembrava da missa a metade.
Dadas estas incontornáveis circunstâncias, propus-me a, em vez de um diário, realizar crónicas periódicas, sem período estipulado, as quais intitularia de "Crónicas Madrilenas" e para as quais faria também uma tag com o mesmo nome, para que aquelas poucas pessoas que eventualmente tenham curiosidade em ver a vida através dos meus olhos, tenham a possibilidade de acompanhar a saga.
Enfim, é isto que vos espera a partir dos próximos dias e que se prolongará até ao mês de Julho. Até lá, «love, love will tear us apart again»...

terça-feira, janeiro 06, 2009

GARB AL ANDALUS (para quem pensava que ia para o estrangeiro, mas que afinal não sai da península)

Confusões à parte, não sou a favor da unificação da Península Ibérica. Simplesmente quando aceitei o desafio de ir para o estrangeiro, fartava-me de gozar com a probabilidade de ir estagiar para Espanha, uma vez que Espanha não é estrangeiro, é já aqui... é que nem precisamos de saír de Portugal para irmos mais longe, basta irmos às ilhas.

Ironia do destino e aqui estou eu com um aperto no estômago, ansiosa por saber exactamente qual o dia em que irei para Madrid. Pior, estou feliz da vida! O único senão é o frio, de resto, estou mortinha para ir às "rebajas", aos museus e para definir rotas turísticas - Garb Al Andalus que me aguarde, inxalá!

Para quem desconhece, o Garb Al Andalus, ou somente Al Andaluz. é o grande mito medieval da Península Ibérica. Enquanto que o resto da Europa vivia na dita Idade das Trevas, A Península Ibérica estava sobre domínio muçulmano, mais exactamente, de uma "linhagem" muçulmana resultante da islamização das tribos Berebéres do Norte de África. O próprio nome do continente africano deriva do termo árabe "ifriq".

A conquista muçulmana da península diz-se ter tido início em 711 AD, apesar de os primeiros indícios terem ocorrido em 707 AD com a conquista das Baleares.

Todavia, há quem defenda que existia já um fenómeno natural de imigração de povos do Norte de África, cujo início datava já de meados so século VII AD. Aliás, para além de muçulmanos, recebiamos também, vários judeus, fenómeno esse que levou à criação de uma linhagem judaica ibérica - os Sefarditas, ou Sefaraditas, cuja cultura se caracteriza por possuírem um dialecto próprio, entre outras características.

Em poucas palavras, a Península Ibérica sempre foi um mundo à parte, creio que devido, fundamentalmente, à sua distinção geográfica, que lhe conferia uma posição estratégica tanto a nível económico, como militar.

A co-existência das religiões cristã, judaica e muçulmana está registada tanto antes, como após a reconquista cristã. Por incrível que pareça, a reconquista cristã teve mais "mão de Alá" do que "mão de Deus", pois muitos muçulmanos e judeus pagavam aos cristãos e conspiravam com eles, para destronar os seus governantes corruptos, que viviam no luxo e ostentação à custa da cobrança de impostos estonteantes... estão a ter algum déjà-vous? Por outro lado, esses mesmos governantes eram tão ricos que se davam ao luxo de pagar aos cristãos para não os atacarem.

Enquanto que os cristãos, concentrados no Norte, enchiam os bolsos à medida a que planeavam ficar com tudo só para eles, no resto da península florescia Garb Al Andalus, um mítico paraíso muçulmano, onde se podia ser cristão e judeu à vontade, desde que se pagassem os impostos. Garb Al Andalus foi o berço de grandes médicos, naturalistas, matemáticos, físicos e arquitectos, como também de filósofos, poetas e músicos, tal como de grandes obras científicas e literárias. Coisa que, lamentavelmente, nunca mais se viu no mundo islâmico.

A reconquista cristã atingiu o seu auge entre os séculos XII e XIII AD, tendo Granada resistido até 1492 AD.

Resumindo e concluindo caros inóvios que vão para Espanha, temos muito que visitar ;)
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