domingo, dezembro 28, 2008

As Feridas do Coração São Como As dos Joelhos

Ao invés daquilo que muitas vezes se diz, o coração nao se parte, na verdade isso é um tremendo disparate. O coração não tem partes rígidas que se possam partir, pode sim ferir-se, sangrar... Pode fazer um arranhãozinho, ou um corte profundo, difícil de sarar.

No fundo é mais ou menos o que acontece com os joelhos. Aqui não podemos dizer que os joelhos não têm ossos, mas podemos dizer que os joelhos não são os ossos, mas sim a expressão exterior da junção do fémur e da tíbia. Quando ouvimos dizer que alguém fracturou o joelho, na realidade essa pessoa fracturou ou a extremidade inferior do fémur, ou a extremidade superior da tíbia ou, com muito azar, ambas... mas não o joelho. O joelho rasga-se, arranha-se, sangra, mas na realidade não se parte.

Quando vimos ao mundo, estamos programados para explorar e aprender. Tudo à nossa volta é um mar de sensações para experimentar. Os meus joelhos têm manchas e cicatrizes proeminentes de correr desalmadamente. Quando somos pequenos e leves, correr e saltar dá-nos a sensação de quase voar... foi preciso derramar algum sangue dos joelhos para perceber que voar não era a minha vocação.
Agora que sou mais alta e pesada, tenho medo de saltar e correr desalmadamente, pois sei que nunca vou voar e o mais provável será caír e sangrar dos joelhos. É institivo.
Com o coração passa-se mais ou menos a mesma coisa. Estar vivo implica ser-se sensivel e ser-se sensível implica sentir. Por mais dura que seja a carapaça, não há volta a dar. Os sentimentos são como sismos profundos e propagam-se como as ondas P, agitam-nos as entanhas independentemente de o meio ser sólido ou líquido. À medida a que ascendem, propagam-se em todas as direcções do espaço, como as ondas de superfície e, quando passam para a atmosfera, transformam-se em autênticas ondas sonoras. Alguns destes sismos conseguem ser avassaladores ao ponto de fazerem brotar àgua.


Tal como acontece com os joelhos, as primeiras feridas do coração, provocadas pelos sismos dos sentimentos, são as que se sentem com maior intensidade. Como não conhecemos os nossos limites, a qualquer momento temos a sensação de estar a atingir o nosso máximo de resistência quando, afinal, falta sempre "um bocadinho assim". Se há coisa que eu aprendi na vida é que, quando estamos mesmo lá em baixo só nos resta um caminho e que esse caminho é para cima.
Eu creio que seja nessas alturas que se dá um fenómeno de atracção do qual desconheço o nome, em que a vida nos põe em contacto com outros seres que já experienciaram o mesmo que nós, tantas ou mais vezes e que continuam a viver com o sorriso nos lábios e os olhos fixos no horizonte. Esses seres partilham conosco as suas experiências, mostram-nos as nódoas negras e cicatrizes que fizeram durante os seus percursos, e aconselham-nos sempre a seguir viagem de forma mais cautelosa, mas nunca nos aconselham a desistir. Creio também que esse seja um conselho que eu dificilmente dê.
A partir daí é meio caminho andado para aprendermos a nos despojar daquilo que nos faz sangrar, tratar das feridas e ressuscitar a vontade saltar e de correr, mas não desalmadamente a ponto de caír e fazer grandes estragos.


A experiência é algo que nunca termina, acredito que a vida esteja orquestrada de modo a que possamos aprender até ao último suspiro. Por isso, nunca somos experientes o suficiente para saber agir em todas as situações, só somos experientes o suficiente para aconselhar os menos experientes que nós.
Em várias etapas da vida vivemos situações em que a realidade se confunde com a ilusão, muitas vezes é preciso tempo para descirnir uma coisa da outra e nem sempre o conseguimos. É aí que hesitamos, reflectimos e até temos raiva de nós, por não conseguirmos perceber as diferenças. Por fora pode parecer que somos indiferentes, que lidamos com as situações com algum desprezo e que já não vivemos as emoções com a mesma intensidade. Mas, na verdade, as emoções estão todas cá dentro, intensamente canalizadas para a racionalização, até que a "nave mãe" da consciência decida qual o caminho menos acidentado a tomar.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

domingo, novembro 23, 2008

Vende-se T2

Vende-se T2 recente, remodelado

Sintra - Quinta da Cavaleira

Contacto: 965378626



















sexta-feira, novembro 07, 2008

The end and the beginning


In the beginning I was shapeless.
I had no end and no beginning, I was part of everything and everything included me.
I was the stream of light rushing trough the plasma that held the Universe, I was the vibration that pushed stardust. Every little sound sounded like me and there was only darkness where I didn't exist.
But one day all parts of me were pulled toghether.
All of a sudden I was driften into a no ending hole, much faster than sound speed. I was no longer part of everything, because everything has turned into me and others... our vibrations felt different and we felt solitude for the first time.
In less than a second all parts of me condensed and the light I was made of turned into a little portion of matter. I wasn't the stream that helded matter no more, for I became matter itself. For the first time there was darkness and I coexisted at the same time and in the same place. I was alone and I started growing.
As I grew I gained shape and little by little turned more and more complex. I felt the water that gives life, I heard the sounds that sounded like others, and a little bit of the light I once was reached me from time to time. I became fascinated the day I started to move and touch myself with the different parts of me. I was.
But again my serenity was corrupted by loud sounds and strong convulsions. I was scared and I felt pain for the first time. All the parts of me hurted so badly that I didn´t want to be anymore... I was being pulled again, but this time it seemed it would last forever. When the pain seemed to be at its peak I saw the light and felt the heavy, dry, cold, hurted, scared and lonely piece of matter I've became. Compulsory I yeld all my pain the loudest way I could. I was born.

sábado, junho 14, 2008

A Ilha


O céu era uma tela infinitamente azul celeste decorada com laivos brancos pintados aqui e ali, o Sol brilhava incessante e quente, fazendo crescer sorrisos até nos corações mais estéreis. Toda a baía era tocada por uma brisa suave e a maré vazia deixava a nú as marcas da corrente na areia escura, que fora outrora arrancada aos montes que um dia brotaram do interior da Terra.

A pequena andava por ali, dentro do seu fato de banho catita que era como que um casulo que lhe envolvia as formas andróginas em metamorfose, de onde em poucos anos se libertaria um corpo esguio de mulher. A baía era o melhor sítio à face da Terra, todo o seu desejo de liberdade se saciava ali num mergulho longo. A água morna e salgada fazia desaparecer as zangas com os colegas, as pressões dos pretendentes mais velhos que ela abominava, a ausência de atitude da mãe e os sermões diários do pai que, um dia atrás do outro, lhe castravam a espontaneidade e as ilusões... De baixo de água, o horizonte era algo irresistivelmente verde e turquesa.
Na sua cabeça não se concebia a ideia de um dia acordar e de não poder ver o mar, o que um dia se revelaria uma prisão para os seus colegas de escola, para ela era uma sentença que queria adiar a todo o custo - a maior parte deles nunca abandonaria a ilha, enquanto que ela nunca poderia ficar para sempre.

segunda-feira, maio 26, 2008

She...


She was walking along the long road that ends in the horizon, weather seemed to get better as she moved along and every new sight was the picture of entusiasm, though, peculiar feelings slowed down her curiosity and made her hesitate before the unknown.
Questions in her mind made her look behind several times and the sights were quite cloudy, nothing compared with what she found ahead of her. Actually she didn't know if she was attached to the past or if it was past itself that tried hard to pull her back. It was quite a struggling feeling from wich she wanted to set herself free.
Anyway, time made her sick of storms and shadows, so she decided to turned away in search for something new...

quarta-feira, março 19, 2008

Wondering once again


Time used to go by in a rush, so fast I couldn't find myself...
Now time comes along slowly, so slowly I can stare at almost everything, still I feel lost.

quinta-feira, março 13, 2008

Querida Flor

Querida Flor,
Parece que só falamos de tempos a tempos, parece que muita coisa se passa e que eu passo sempre por ti. Desta vez voltei, mas não sei por quanto tempo, por enquanto só sinto que preciso de parar porque não sei para onde ir e é nestas alturas que sabe bem olhar para ti, como se fosses o horizonte.
Por vezes sinto que venci o tempo, pois aprendi em pouco tempo coisas que vejo outras pessoas levarem vidas a aprender, aprendi o que quero para mim. Dantes só sabia o que não queria e perdi-me nessa imensidão. Por outro lado, temo que o tempo me possa vencer, pois agora que sei o que quero, não sei como o conseguir, nem em quanto tempo isso se faz, por isso achei boa ideia vir ver-te, tu acalmas-me a mente agitada e o coração...

sexta-feira, março 07, 2008

Sigur Rós - Heima



Da terra do fogo e do gelo chega-nos "Heima", o primeiro filme dos islandeses Sigur Rós. "Heima" foi filmado durante duas semanas, no Verão de 2006, quando a banda realizou uma série de concertos gratuítos por 15 das localidades mais remotas da Islândia. Podem ver tudo sobre o filme no youtube - http://www.youtube.com/watch?v=lr4s7KeCbV8
Entretanto... "let's look at da treilla"

sábado, março 01, 2008

Wondering... again


I'm building up a new castle with the stones I stumbled over last journey, and I've decided I'll have little furniture, I'll fill up the walls with my favorite paintings instead...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Definitely needing a Fairy Godmother...


I wish I could be free like the wind and swirl around,
or that someone would spread on me some magic powder
so I could spread my wings and lift my feet of the ground...

sábado, fevereiro 09, 2008

Resposta a "O Meu Outro Mundo" de Dream Laughter


Fazemos parte do mundo, como as estrelas fazem parte das galáxias e as células fazem parte de nós. A nossa alma é a alma dos outros, se prestarmos bem atenção, conseguimos ouvir as vibrações dos nossos pensamentos a ressoar no inconscientes uns dos outros... não ouves tu também os meus?

Só sei que danço...


Pelos dias, pela vida, pelas gentes ...
Danço pelo inconsciente e pela razão,
Para o mundo, para tudo e para dentro.
Danço do ventre para a alma e para a calma,
Pelo sangue para os pés e para as mãos.
Danço da ponta dos dedos ao coração.
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