sexta-feira, setembro 15, 2006

Olga







Olga é um filme realizado em 2004 pelo director brasileiro Jayme Monjardim, inspirado na biografia de Olga Benário, escrita por Fernando Morais, sobre a alemã, judia e comunista que veio ao Brasil lutar por seus ideais.

(No mesmo ano foi lançado na Alemanha o Filme Olga Benário - Uma Vida Pela Revolução, de Galip Iyitanir. )

O filme conta a história de Olga Benário Prestes. Nascida em Munique, na Alemanha, em 1908, filha de pais judeus, Olga tornou-se uma ativista do comunismo. Após libertar seu namorado Otto Braun da cadeia, eles são forçados a fugir para a União Soviética, onde recebem treinamento de guerrilha. Olga logo se destaca no Partido Comunista, onde conhece Luiz Carlos Prestes, que viria a se tornar um dos principais líderes comunistas do Brasil. Em 1934, quando Prestes volta ao Brasil, designado pela Internacional Comunista para liderar uma revolução armada, Olga é designada para escoltá-lo. Passam a viver na clandestinidade enquanto planejam a derrubada do governo de Getúlio Vargas. Durante este período, a relação amorosa entre Prestes e Olga amadurece e ela fica grávida em 1935.
Quando o movimento revolucionário é derrotado pelas forças de Vargas, Olga e Prestes são presos pelo duro chefe de polícia
Filinto Müller. Diante de rumores de que seria deportada, Olga divulga sua gravidez e solicita asilo político por ser casada e estar grávida de Prestes. O governo Vargas, que neste momento simpatizava com a ditadura de Adolf Hitler, deporta Olga, mesmo grávida de sete meses. Na prisão alemã, dá à luz uma filha que batiza de Anita Leocádia, em homenagem a D. Leocádia, mãe de Prestes. Após o período de amamentação, a menina foi retirada de Olga e entregue à D. Leocádia. Após anos de prisão em campos de concentração, durante os quais a opinião pública internacional fez inúmeras tentativas de libertá-la, Olga é morta na câmara de gás. Somente anos depois, Prestes e sua filha leriam a última carta de Olga, onde faz uma comovente despedida.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Cassandra


Cassandra is sitting there, alone. In fact she wants no company at all... no one believes in her.

She knows all her friends, and her friends' friends and an all bunch of people she heard or read about, but who she never really saw. Cassandra knows and hears their souls... she knows their plans, their ambitions, their ideals and their corruptions. She knows who intents to betray whom, who's secretly in love, who desires someone else's wife, the ones who speak the truth and the ones who lie.

Though no one believes in her, everyone thinks she's gone insane. There's no way she can stop things from happening, there's no use trying to help... even Cassandra is helpless.

So Cassandra just sits over there by the lake waving her hands trough the water, hopping to wash her anger away.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Querida Flor,


Há muito que não jogamos com as palavras. Talvez as nossas atenções se tenham voltado para outros horizontes, o que é natural. Mas eu sei que para ti as palavras são importantes, são mais do que isso, são materiais e alicerces que usas para tentares imortalizar uma obra pela qual te queres recordada, para sempre, para que o teu nome e os teus ideais vivam como se fossem as estrelas pelas quais os marinheiros se guiam de noite. Espero que assim seja.

Espero que entretanto continuemos a brincar com as palavras...
...Apesar de eu não me querer prender às minhas, nem querer que tolo algum se dedique a tentar decifrar o que elas realmente querem dizer, se fosse para isso, teria sido mais explicita. As minhas palavras são água para escorrer por entre os dedos, são para correrem rio abaixo e desaparecer no oceano dissolvidas entre tantas outras. Depois, são para ser desagregadas em letras, de modo a que as mais densas mergulhem nas profundezas abissais e que as mais voláteis se misturem com a atmosfera. Aí sim, podem novamente condensar e formar outros conceitos mais evoluídos, através de sucessivos processos de renovação.
Mas as tuas são diferentes, são para ficar como sinal de que há palavras que não morrem e ideais que são eternos. É que para alguma palavras poderem evoluir, há outras que têm de persistir, para que não se perca a eterna vontade de melhorar e aperfeiçoar o mundo.
Até lá, vamos brincando com as palavras. Talvez, por serem diferentes, possam aprender muito umas com as outras.
Um beijo Flor.

terça-feira, setembro 05, 2006

A culpa é da Conjuntura...

Quando reina a confusão, tenho o hábito de dizer que o mal é dos astros, que a conjuntura não está favorável... mas na verdade não pesco nada disto.
Hoje fui assolada por conjunturas pouco lógicas, talvez derivadas do meu cansaço, uma vez que acordei por volta das 5horas da madrugada. Mas, foi devido a elas que consegui dar ouvidos a uma das minhas pseudo-consciências, a do meu corpo. Nunca lhe dei um nome, penso que seria um acto de insanidade da minha parte, até porque raramente lhe dou ouvidos, outro acto de insanidade, o qual deveria cometer mais vezes.
A pseudo-consciência em questão sentia-se revoltada com o calendário...
Ela estava a passar uma linda tarde na praia sob o Sol quente que nos tem abrasado estes últimos dias, estava-se a secar depois de consecutivos mergulhos e braçadas na água salgada, durante os últimos instantes de preia-mar e, entretanto, deixou-se adormecer, levada pelo cansaço e pela sensação intensa de peso, aquela que se sente depois de passarmos muito tempo na água salgada, onde a sensação de peso quase desaparece. Quando acordou, não sentiu o Sol, o corpo já não lhe fervia como há cerca de uma hora atrás. Se fosse há umas semanas o calor tinha permanecido mais umas horas.
"A nossa posição em relação ao Sol está a mudar..." disse ela à sua amiga, num tom de lamento. Foi a partir daí que uma lógica desajustada começou a funcionar, activada pelo sentimento de revolta por o Verão estar a chegar ao fim: o calendário actual e o nosso metabolismo não combinam, estão um para o outro da mesma forma que os saltos altos estão para a calçada portuguesa.
Desde que nos entendemos por gente que os nossos ciclo anuais terminam no início do Verão para dar lugar às férias, e recomeçam quando o Verão se vai embora, deixando ficar a nostalgia de fugir à rotina. Isto verifica-se mesmo para quem não tira férias no Verão. É assim desde que nascemos, pois os nossos pais tiram férias no Verão (os médicos aconselham a levar os bebés à praia, mediante certas precauções), é assim no programa das escolas e é assim no planeamento do trabalho.
Talvez, aparentemente, não faça diferença mudar de ano no Inverno mas, no fundo, qual é a lógica de fazer a mudança nessa altura se, na verdade, ela mal se reflecte no mundo à nossa volta?
A meu ver, seria muito mais harmonioso começar o ano no início do Outono, que é quando começam as grandes mudanças, como o regresso à rotina, o adeus progressivo aos dias grandes e quentes, a mudança da hora, a alteração da coloração das folhagens e a sua consequente queda...
Obviamente que o regime climático varia ao longo do planeta e as estações variam tanto em número como em características, o que impossibilita a existência de um calendário global para o planeta, na medida em que existem vários factores de ponderação a ter em conta.
Se não vivessemos dominados por este polvo do capitalismo, poderiamos adaptar os calendários aos nossos regimes sazonais e ter como prioridade outros fins que não o lucro imediato.
Bem, e foi este o sentimento de revolta da minha pseudo-consciencia do corpo, que não se sente nada harmonizada com o calendário e que sofre muito com a sensibilidade do metabolismo...
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