terça-feira, agosto 29, 2006

Sobre a Vida II

Hoje de manhã dei comigo a reflectir sobre o que realmente queria da vida e, descobri que na realidade até tenho o que sempre quis, ir ao sabor da corrente e descobrir o que vem depois de contornar cada meandro. Só nunca esperei que os meandros fossem tão difíceis de contornar, talvez seja por isso que o que vem depois cause tanto fascínio.
Se assim for, nada é fascinante, tudo é como é, nós é que podemos ou não ficar fascinados por tudo.
Bem, esta conclusão não é nada fascinante... pelo menos para mim.

sexta-feira, agosto 18, 2006

O Sangue do meu Sangue















Vi o sangue do meu sangue
deixar-se esmorecer.
Vi o meu sangue não saber reagir...

Vi o sangue do meu sangue
a tentar destruír-se e fugir
à verdade que há-de aparecer.

O meu sangue gelou-me no corpo
com medo de a fazer enfrentar
a verdade que a fará definhar.

O sangue do meu sangue...
o que veio depois de mim,
vai-se apangando no mudo que criou.

Eu vejo-a, toco-a, mas não lhe consigo falar,
não lhe consigo mostrar o qua vai matar.

O meu sangue, vazio, desprovido de ilusão,
revolve-se com medo de lhe mostrar a razão.

O meu sangue, intoxicado com o que vai acontecer,
resigna-se, enclausurado pelo receio de a perder.

domingo, agosto 06, 2006

O Dia
















Aqui desta cela sombria,
lembro a luz lívida do dia
que passa lá fora sem mim.
Tenho saudades de ficar a vê-lo,
de quando o dia costumava parar,
de quando o sentia entre o dormitar.
Não fosse esta prisão sombria,
viveria enamorada pelo dia
até que a noite me viesse buscar...
Partilhar