sábado, julho 29, 2006

Sobre a Vida

Diz-se que o Budismo não é uma religião, mas sim uma filosofia de vida.
Eu não sou budista, ao certo, ao certo, penso que nunca tenha analisado bem a minha filosofia de vida, a verdade é que nem penso muito nisso.
Já recebi várias vezes estes mantras que aqui pus, só hoje é que me lembrei de fazer alguma coisa com eles, uma vez que, muitos deles, são princípios que até fazem sentido e com os quais eu concordo.
Supostamente foram feitos pelo Dalai Lama, o Sr. Tenzin Gyatso, mais conhecido por Sua Santidade. A minha falta de sentimento religioso não me deixa muito avontade com este termo, mas mais facilmente chamaria " Sua Santidade" ao Sr. Tenzin Gyatso do que ao Papa (eu sei que esta parte era desnecessária, podem passar à frente).

1. Toma em conta que um grande amor, ou uma grande realização, implicam grandes riscos.

2. Quando perderes, pelo menos não percas a lição.

3. Segue os três R’s:
Respeito por ti
Respeito pelos outros e…
Responsabilidade por todos os teus actos.

4. Lembra-te que não ter tudo o que se deseja é, por vezes, um magnífico golpe de sorte.

5. Aprende bem as regras para saberes como infringi-las correctamente.

6. Não deixes que uma pequena disputa estrague uma grande relação.

7. Se descobrires que te enganaste, faz logo a correcção.

8. Todos os dias passa algum tempo sozinho.

9. Abre os braços à mudança, mas não percas os teus valores.

10. Lembra-te que o silêncio é, às vezes, a melhor resposta.

11. Leva uma vida boa e honrada. Quando fores velho, será possível revivê-la uma segunda vez.

12. Uma atmosfera de amor em tua casa é o alicerce da tua vida.

13. Em disputas com os teus queridos, trata só do caso corrente. Não vás buscar queixas do passado.

14. Partilha o teu saber; é uma forma de alcançar a imortalidade.

15. Sê suave com a terra.

16. Uma vez por ano vai a um sítio aonde nunca tenhas estado.

17. Lembra-te que a melhor relação é aquela em que o amor excede a necessidade.

18. Avalia o teu sucesso por tudo a que tiveste de renunciar para o alcançar.

19. Ao amor e ao cozinhar aborda-os com naturalidade audaciosa.


> Karma (sânscrito: “acções”): Na filosofia indiana é a soma das acções (boas ou más) de um indivíduo, que estão ligadas à alma quando esta transmigra, sendo que cada novo corpo (e cada acontecimento experimentado por esse corpo) será condicionado pelo karma anterior.

> Mantra (sânscrito: “instrumento do pensamento”): No hinduísmo significa uma frase mágica, ou oração. Originalmente queria dizer hino védico. A invocação Gayatri ao Sol, cantada ao nascer do dia, é a mantra védica mais popular, mas há muitas outras que acompanham os rituais hindus.

quinta-feira, julho 27, 2006

Expressar ou Esconder o que Está Cá Dentro?

O que eu quero escrever desta vez? Não sei.
Eu nunca escrevo concretamente o que quero. Penso que haja muito pouca gente adulta na nossa sociedade que deixe transparecer exactamente aquilo que pensa. Eu não fujo à regra.
Há como que uma vergonha global de exibir posições e sentimentos no Ocidente. Eu penso que seja resultado de sucessivas culturas repressivas como a Idade Média e, mais recentemente, a época Victoriana, por exemplo. Ah, que falha a minha, não devia ter passado de uma altura para a outra sem mencionar as atrocidades da Inquisição como exemplo...
A verdade é que muitos desses hábitos repressivos ainda fazem parte da nossa herança cultural, ou tradição, chamem-lhe o que quiserem. Para mim, esse tipo de hábitos são reflexo da inflexibilidade mental e atrofio de raciocínio que é suposto incutir ao Zé Povinho, para que não ruam as fundações base da Pirâmide Social. Mas isto foi só um aparte, uma linha paralela, não era bem por aqui que eu queria seguir (há coisas dentro de nós que não se calam, mesmo que tenhamos a boca fechada).
A ideia era falar de coisas mais simples, como expressar intenções, sentimentos, ideias e até constrangimentos. Sinceramente, já me perdi, nem sei por onde voltar a pegar no assunto.
Mas posso continuar com a posição da sociedade relativamente a estes assuntos mais simples. A moral exacerbada que caracteriza a nossa deficiente mentalidade social pode ser vista como uma grande arena de um coliseu romano, onde primeiro se assiste ao espetáculo e depois, o povo tem o poder de dar a sentença.
Posso elucidar-vos com um exemplo ocorrido hoje. Estive esta manha com uma amiga minha, que estava de rastos após uma ruptura brusca de uma relação de alguns anos. Quando saímos de casa dela, agradeceu-me por a ter apoiado e trocámos alguns abraços e carícias na despedida, em frente ao prédio dela, antes de seguirmos cada uma o seu caminho. Nem três passos à frente estava um homem apático, de queixo caído, por ter observado tal situação.
Agora, analisando a posição do indivíduo em relação ao meio, em geral, poucos se expressam, no geral todos queremos passar despercebidos para que ninguém nos aponte o dedo. Parece que o antigo conceito de deus controlador e repressor da antiga igreja católica se transpôs para actual o conceito de sociedade, ou mentalidade social. Em ambas as situações é um conceito ligado à moral, ora aqui está uma palavra que faz ressoar repressão no nosso inconsciente...
Aqueles que se expressam têm o azar (ou não) de terem todas as atenções viradas para si. São normalmente aquele tipo de pessoas que se adora ou que se detesta.
De qualquer forma, não são assim muitos (felizmente!). Porque é que eu expresso isto? Porque quer eu queira quer não, sou uma célula dessa sociedade repressora, como todos vocês. A verdade é que nem sempre tenho paciência para aturar todos os iluminados que pregam aquilo que pensam aos quatro cantos do mundo. Para isto também vos arranjo rapidamente um exemplo elucidativo: Temos o jornalista Miguel Sousa Tavares, que é mais do que um iluminado. Existem focos de luz a apontar para ele de todas as direcções do espaço. Este senhor tem o condão de opinar sobre tudo e mais alguma coisa, é um iluminado em todos os temas que existem... e para aqueles que não existem ainda se hão de acender outros focos de luz... Aturem-no vocês que eu não tenho paciência.
Este é o ponto da situação em que o(a) leitor(a) me pergunta, Afinal tu és ou não és a favor da expressão pessoal?
Obviamente que sou a favor. Acontece que tenho um espírito muito dado a alterações de humor, mas normalmente calo-me em prole da hamonia exterior. Tenho medo do que eu propria possa dizer. Consigo ser muito fria, mas ao mesmo tempo tenho receio de ferir susceptibilidades. Só que é na análise destes meus defeitos que consigo compreender o lado reprimido e repressor do ser humano. Isto é, o ser humano é reprimido enquanto indíduo, mas é repressor enquanto célula constintuinte da sociedade.
A grande conclusão a tirar disto tudo é que este estigma social é algo gerado e comportado pelo ser humano, algo que começa e acaba em cada um de nós. Logo a solução para este problema só pode seguir o mesmo percurso, ou seja começar e acabar em cada um de nós. É nossa a responsabilidade de constituír uma sociedade mais responsável. Todos temos a liberdade para escolher fazê-lo ou não.
PS - Não era bem isto que eu tinha em mente no início. Para ser sincera nem sei se tinha mesmo alguma coisa em mente, mas uma ideia puxou a outra e cheguei até aqui. Se o(a) leitor(a) também chegou até aqui, gabo-lhe a paciência e agradeço a atenção.

segunda-feira, julho 24, 2006

O Futuro

















É incerto,
obscuro o futuro,
mas no fundo do inconsciente
confesso que até gosto assim.

O frenesim,
do que será ou não,
do saber e não querer saber,
do sentir e apetecer fugir.

Eu olho,
e conjecturo vários futuros.
Qual deles o melhor?
Vejo mas não posso escolher.

Mas no fundo sou feliz
Por não saber o que vai acontecer
Irresponsavelmente feliz
de não poder escolher.

É uma ilusão,
no fundo também o sei.
Prever faz-me sentir segura,
mas é proporcionalmente aterrador.

Qual é a felicidade
em saber o que se sucede?
Não há surpresa, não há sensação.
É certo e seguro, como a morte.

terça-feira, julho 18, 2006

Collapse


I am empty,
my soul is a vacuum.
Now I wait for the Universe to collapse over me.

sábado, julho 15, 2006

O que define um sonho

Cores esquecidas numa história,
Locais confusos,
Personagens difusos,
E frases perdidas na memória...

domingo, julho 09, 2006

Aos Amigos

Ter um amigo é ter alguém que nos acompanhe e que desbrave conosco os trilhos sinuosos da vida.

Ser amigo é aceitar as diferenças do próximo, amá-lo, respeitar o seu espaço, as suas ideias e não cobrar nada em troca.

Ser amigo é ter sempre um ombro disponível para chorar, rir e reflectir sobre os altos e baixos dos nossos percursos.

segunda-feira, julho 03, 2006

domingo, julho 02, 2006

O que fazer?




















O que fazer quando já se sabe o que acontece, os passos que damos, o que se descobre à nossa frente cada vez que mudamos de direcção?
O que fazer quando já se adivinham os sons que se seguem, as bocas que os emitem e sabemos as músicas de cor...?
Quando as bebidas sabem ao de sempre, os olhares são todos diferentes mas iguais, quando nos abstraímos e vemos as horas passar... mesmo as que ainda não chegaram, porque já sabemos como vamos acordar... faz-se o quê?
Quando o que é familar é suposto ser seguro e acolhedor, porque toda a gente acha que sim e vai sempre lá parar... quando tudo isso começa a ter outros contornos e começa a pesar... faz-se o quê?
Não sei... às vezes fico a pensar...
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