quinta-feira, junho 29, 2006

Mais alguma coisa sobre o tempo...



Silenciosamente observo o tempo,

Aquele que vai passando e o que já passou por mim.

Vejo os que correm contra o desespero de chegar ao fim,

E que me dizem que estou ficando velha,

Que o tempo não volta e que não se recupera.

Vejo-me por dentro e por fora do tempo,

Vejo-me por dentro e por fora de mim,

As cicatrizes, as marcas que ficam na pele,

Essas que já não vão com o tempo...

Fico embrenhada por entre as árvores,

Descanso entre as suas raízes

E dou-me tempo para recuperar

Das colisões com quem corre contra o tempo...

Até chegar a altura de caminhar outra vez.

As árvores não correm, são fortes.

Chegam mais alto e vivem mais tempo que nós.

Testes da Bomba Atómica (Massive Attack - Angel)

quinta-feira, junho 22, 2006

Faith


Last night was full of nightmares,
everything was black and white.
The strong and healthy
abused the ill and skinny ones.
I was fraightened, terrified...
I wanted it to end...
but when I seeked inside,
my faith was dead.

sábado, junho 17, 2006

Surreal

Fazias-me perguntas às quais sabias as respostas, para puderes suster, por momentos, o tempo entre nós... e eu olhava-te nos olhos para ver o que realmente me querias dizer.
Mas na verdade não te podia responder, estavas proíbido, não havia nada que eu pudesse fazer.

quarta-feira, junho 14, 2006

Sobre as Coincidências


Não me admiram as coincidências. Aquilo que não coincide faz-me muito mais confusão.
Para ser sincera as coincidências despertam-me uma certa segurança, segurança em termos de decisão. Este sentimento é algo de instintivo: "se aquilo é coincidência, é mesmo por ali que eu vou".
O mais certo é este instinto ser consequente de outro mais primitivo, o da curiosidade.
A coincidência pode ser vista como um facto do qual se desconhece a teoria que o justifica ou, por outras palavras, uma consequência cuja causa é desconhecida. A segurança reside neste facto: se algo se manifesta é porque existe uma causa e, essa causa, é caracterizada por uma lógica. Disto advém o sentimento primitivo da curiosidade. Se uma consequência pressupõe uma causa, é absolutamente seguro de que, se a primeira se verifica, a segunda obrigatoriamente terá de se verificar. Ela existe, isso é seguro, a partir daí só falta descobri-la, isso é curioso.

Foi na Noite














Foi na noite

Cheia de Lua

Que a vida toda

Se decidiu mostrar

Foi de noite

No meio da rua

Que até ser dia

Ficámos a dançar

quarta-feira, junho 07, 2006

Pseudo-consciência
















Hoje os versos são poucos
Trocam-se as letras das palavras
A dislexia está-me a atacar

Hoje os versos estão loucos
Não conseguem ir muito longe
Não sabem quais os passos a dar

As estrofes surgem soltas
No fim acabo por as trocar
Surgem de repente como loucas
Também não sabem o seu lugar

O corpo sente-se cansado
O consciente entra em divergência
Não se vê mas sente-se pesado
Num estado de pseudo-consciência

domingo, junho 04, 2006

Estou aqui

Hoje sinto as ideias baças
É pouco o que de mim está presente.
Estou algures no conforto da música
E da voz que gostava de ter.
É... é isso precisamente!
Gostava de ter mais voz e cores mais quentes.
Eu estou sempre aqui, mas peco e perco,
Porque apesar de estar, pareço ausente.
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