terça-feira, fevereiro 28, 2006

Água


Gosto de sentir a água passar por mim
Tudo pára, o mundo à volta deixa de existir
Fico concentrada no instante em que a sinto
Quando estou cansada, sinto-me assim...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Contemplação

Deixo arrastar-me pelo dia
Como se por magia
Fosse a alguma parte chegar...

Olho o Céu como se fosse dele
Como se fosse feita só de ar
E só com os olhos pudesse tocar
Na luz divida por entre as núvens
E nos reflexos quentes do entardecer

Deixo-me ir como um rio
Por entre as horas a fio
Por entre os ímpetos de dançar...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

De Camelinho Para Basimah


Quis deixar de ser só movimento
E começar a ser também sorriso

O que não se vê



Estou sem palavras,

Então lembrei-me de ti,

Que vives no silêncio.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Elaine of Shallot

"... I'm half sick of shadows ..."

Don't get me wrong,

I'm just tired...

I´m staying home.


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

É tempo


É tempo de parar para pensar
Mas primeiro é preciso moldar o tempo
Para que não se perca nenhum pensamento

domingo, fevereiro 05, 2006

Sonhos de Guerra


Eu tenho uma certa dificuldade em decorar letras de canções, mas desde muito nova que decorei a maior parte da letra desta canção, pelas sensações de tristeza, revolta e desilusão que me causavam.

Há sempre um piano
um piano selvagem
que nos gela o coração
e nos trás a imagem
daquele inverno
naquele inferno

Há sempre a lembrança
de um olhar a sangrar
de um soldado perdido
em terras do Ultramar
por obrigação
aquela missão

Combater a selva sem saber porquê
e sentir o inferno a matar alguém
e quem regressou
guarda sensação
que lutou numa guerra sem razão...
sem razão...
sem razão...

Há sempre a palavra
a palavra "nação"
os chefes trazem e usam
pra esconder a razão
da sua vontade
aquela verdade

E para eles aquele inverno
será sempre o mesmo inferno
que ninguém poderá esquecer
ter que matar ou morrer
ao sabor do vento
naquele tormento

Perguntei ao céu: será sempre assim?
poderá o inverno nunca ter um fim?
não sei responder
só talvez lembrar
o que alguém que voltou a veio contar... recordar...
recordar...

Não é que goste particularmente dela, mas ilustra certas sensações que tenho em certos tipos de sonhos. Sonhos de guerra, nos quais às vezes sou uma mera observadora e noutras sou outra pessoa, que faz parte do elenco.
É desesperante ver o que a guerra faz às pessoas, no que as transforma e nos estigmas que deixa, cujas cicatrizes não se apagam.
Realmente, impressiono-me muito com estas coisas, mas a todo o momento somos bombardeados com estas notícias, já para não falar dos filmes, que nem sequer gosto de ver, só se insistirem muito, mas mesmo assim, retorço-me toda...
Tenho de deixar de ver o telejornal também...

sábado, fevereiro 04, 2006

Vita Mia

Sinuosa é esta estrada
Por vezes longa e desgastada
Que se perde no horizonte

Atravessando planícies e montes
Sonhando e acordada
Estando eu ou não cansada
A caminhada é para se fazer

Ver por onde passa a estrada
Tocar em tudo ou em nada
Por vezes dá que pensar

Mas é aquilo em que não penso
Que me apanha desarmada
Quando não dou por nada
Que me faz abrandar


Vejo os que comigo andavam
Os que comigo riam e choravam
Um a um ficando por aí

Pelos meus olhos chora a saudade
Dos tempos da caminhada
Mas eles vão, deixam a estrada
Para criar raíz

Mas a inércia que me consome
O pão que não me mata a fome
É mais forte que a saudade

Oiço cantar baixinho o meu nome
Lá à frente na linha do horizonte
Só tenho de subir o monte
Eu corro para ele sem pensar

Canso-me e ando devagarinho
Vou parando pelo caminho
E continuo depois de descansar

Quando chego não oiço a voz
Vejo apenas gente enraizada
A sorrir-me da beira da estrada
Eu sorrio mas não tenho raiz

Mas lá à frente no horizonte
Por de trás daquele monte
Oiço chamar baixinho o meu nome

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Rosas Para a Rainha (sonho)


Por caminhos entrançados,
com a noite e o dia trocados,
caminhava eu sózinha.

Os amigos ia encontrando e,

quando podia, ajudando,

no meu caminho para a Rainha.

Todos os caminhos eram diferentes,

até as horas e as gentes,

tanto era de noite como de dia.

Vi rosas claras ao luar,

sob o amarelo do grande crescente,

muitas, mas difíceis de arrancar,

e segui de mãos vazias.

Mas de dia, no alto de uma colina,

com casas perto da ruína,

sob o céu cinzento desesperei...

Tive medo de que a a Rainha

não acreditásse na mensagem que eu tinha

e, por fim, chorei.

Mas numa descida para outro lado,

debaixo do céu azulado,

com um frade de hábito,

encapuçado, me deparei.

Ele levou-me a ver as rosas,

colheu-me uma muito rubra e vistosa

e uma amarela com raios vermelhos,

mais longa e esguia.

Lembro-me de seguir com elas nos braços,

mas não me lembro dos meus passos...

fui algures levar as rosas à Rainha.

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