terça-feira, janeiro 31, 2006

Frio...

Gostei de ver a neve emaranhada
No emaranhado dos meus cabelos...

... E os flocos brancos caindo do céu.

Mas foi por pouco tempo.
A verdade é que não aguento,
O calor da alma quase não resiste
à constância do frio que persiste...

Persiste em não aquecer o coração
Que nos enche o espaço de alegria.

Tornei-me um bicho do mato.
Faço o que tenho a fazer
E logo me embrenho
Numa espécie de abrigo que tenho.

Cruzo o olhar vazio e distante
Com os dos homens e rapazes
Que me despertam a atenção.

Mas no lugar do coração
Tenho um cubo de gelo,
Não nascem sentimentos,
Não se solta paixão.

O coração parece que desapareceu...
Já o chamei, mas o tolo não quer voltar.

Anda por aí algures
Onde a serra se verga perante o mar,
Deambulando e olhando céu.

Cor

"Essa mulata tá ficando branca..."
Disseram-me eles enquanto eu passava pelas paragens ainda dormitando dentro da parca.
Numa Parca me vou transformado...
Pálida e cada vez mais pálida, de olhos esbugalhados, perdidos no vazio do frio das primeiras horas da manhã, por baixo do calor dos cabelos de cor incerta que me cobrem o rosto descorado que por vezes me parece outro alguém.
O Sol nasce e não se mostra, os reflexos laranja espelhados nos vidros por aí, fazem-me esquecer que o Inverno pode não ter fim e que a sua cor se espelha em mim...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Eilahtan - A Princesa do Sol



A minha Princesa do Sol é triste,
Vive por entre as horas em que se perde
Passeando num mundo a que se prende
Mais do que áquele que hoje existe.
É que a minha Princesa do Sol não é de cá
Ela é muito delicada...
Este mundo é egoísta, não se compadece
E a minha Princesa do Sol esmorece,
Como uma flor que não é tratada.

domingo, janeiro 29, 2006

Profundo...

Profundo como o mar...
Será fixação?
Não.
São as profundezas do coração,
que não se sabem dar...

sábado, janeiro 28, 2006

Pensamentos...

Nem sempre de palavras
se fazem os pensamentos.

Por isso é difícil lhes traduzir
à letra os ritmos e os tempos,
as nuances entre o ver, o sentir

e o ouvir abstractos.
A mesma linearidade pode ter
até mais do que um sentido.
Os sentidos podem nem ser exactos.
Eles orientam-se mesmo sem ter
previamente um percurso definido.

sábado, janeiro 21, 2006

This Night Alone

This night I felt lonly,
'Had no sweethearts around,
Our roads cross even less
Than they did across the past.
This night I feel tired,
There's no fun in drinking alone,
No one to fell drunk whith,
Wine doesn't taste as it did.
So many times
I have long for solitude
And cursed the sounds
That used to fly around...
Now look at me
Longing for jokes and nonsenses,
Listtening to the sound of this odd mood...
Which I don't know if I should...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Shisha

Blew my worries away for moments...

Moments ago I was away...

I wish for one moment I could lay

down and blow out all these torments...

Dança ;)

Oh! Ás vezes...
Mais vale dançar
Por entre as complicações
Deste universo,
Do que massacrar
As limitações
Da minha ignorância.
Enquanto o Sol vai e vem,
Cala-te e dança...

segunda-feira, janeiro 16, 2006

«Music Of The Night» - The Phantom Of The Opera soundtrack



"Night-time sharpens,
heightens each sensation . . .
Darkness stirs and
wakes imagination . . .
Silently the senses
abandon their defences . . .
Slowly, gently
night unfurls its splendour . . .
Grasp it, sense it -
tremulous and tender . . .
Turn your face away
from the garish light of day,
turn your thoughts away
from cold, unfeeling light -
and listen to
the music of the night . . .
Close your eyes
and surrender to your
darkest dreams!
Purge your thoughts
of the life you knew before!
Close your eyes,
let your spirit
start to soar!
And you'll live
as you've never
lived before . . .
Softly, deftly,
music shall surround you . . .
Feel it, hear it,
closing in around you . . .
Open up your mind,
let your fantasies unwind,
in this darkness which
you know you cannot fight -
the darkness of
the music of the night . . .
Let your mind
start a journey through a
strange new world!
Leave all thoughts
of the world
you knew before!
Let your soul
Take you where you
long to be !
Only then
can you belong
to me . . .
Floating, falling,
sweet intoxication!
Touch me, trust me
savour each sensation!
Let the dream begin,
let your darker side give in
to the power of the music that I write -
the power of the music of the night . . ."

domingo, janeiro 15, 2006

Agora vou dormir


Agora vou dormir, vou para lá.
Lá é diferente, prende muito, é sempre difícil voltar...
Às vezes parece impossível, é um vai e vem interminável, semiconsciente... essa é a parte assustadora.
Aparte disso, vê-se muita coisa deste mundo, do que poderá ter sido, do que pode ser e do que talvez será...






http://staratel.com/pictures/surreal/Olbinski/pic8.htm

sábado, janeiro 14, 2006

Blue

The clouds hid the Moon, I thought I was a shadow, but then the Sun rose and I saw colours...










http://www.niloufer.com/

quarta-feira, janeiro 11, 2006

The third eye

There are so many spirits with an open mind who wish they were blind when they close their eyes...

domingo, janeiro 08, 2006

Pó de Estrelas

O que existia além do firmamento
Por entre os astros ancestrais
Era um vazio sem comprimento
Mas hoje crê-se ser algo mais

Parece que sempre há preenchimento
Entre os corpos deste vasto universo
O vazio que reinava no desconhecimento
Agora é preenchido pelo seu inverso

Há partículas das estrelas que se apagaram
Parece que afinal não é o fim delas
Que correm para sítios onde não chegaram

Da próxima vez que o peito se me apertar
Saberei que entre nós há pó de estrelas
Talvez brilhe ele onde mais não pode brilhar

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ela

Era uma primeira filha de uma primeira filha, que vivia noutro lado que não aquele em que vivia.
Vivia olhando o outro lado do mar, onde o acordar é mais bonito, porque em todo o lado se acorda para o céu e para o mar, uns dias sereno, outros revolto... em todo o lado as pedras nuas se mostram por entre véus verdes, salpicados de cores.
Era uma filha curiosa, que perguntava muito, conversava muito, mas quase nunca dizia nada. As únicas vezes em que dizia algo, fazia-o calada, porque a voz enfraquecia, até que desaparecia e os lábios cerravam-se por magia. Nunca ninguém a conseguia escutar.
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