quarta-feira, dezembro 28, 2005

Absence


Oh... this absence of mine
De tudo e de todos
Absence of sense
Sem contexto, sem nexo
Senseless dispersion
Estou longe...
In somewhere parallel
Fora de cena
This selfish absence...
Ausência de mim

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Body and Soul

I stare
I watch every move
I watch every flow
Of the dimensions
That flow through me

I feel
I feel the shiver of my lips
Feel the emptyness of my soul
The horror of the battle
Of the non-ending war
Of keeping my flesh and bones
For my soul only

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Flor

Flower, flower,
Flower of mine,
I care for you flower,
You deserve every sunshine.
Every petal, every leaf,
has the colour of a smile.
Remember me flower,
If someday I leave...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Sou de ladainha

Sou feita de ladainha
De som da espuma do Mar
Sou branca, sou preta
Sou da cor que o Sol me pintar

Sou do mundo, sou da vida
De todo o lado e de lado nenhum
Sou feita de benção e de pecado
De alma acesa e de carne comum

Sou feita do som do batuque
Do quebra-requebra da vibração
Do serpentear do sangue quente
Do sorriso que vai da boca ao coração

Sou do vai e vem dos dias
Do Sol que nasce e da escuridão
Sou feita de olhar a Lua
Sou de silêncio e de canção

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Rocks in my path


So many rocks in my path
There aint much to do
but to laugh...

I shall do like rivers do
I´ll dig a canyon
As I move on through

Oh dear Ladies, dear Lords
Dear laws of this Universe
I wish to know, for it seems odd...
Which is the meaning of this course?

domingo, dezembro 11, 2005

oh mar...

Se eu pudesse, oh mar...
estar sempre ao pé de ti,
nada do que é agito
sairia de dentro de mim.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Se eu estivesse, oh mar...
sempre chegada a ti,
esvair-se-iam na tua água
as correntes que segui.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Se eu pudesse, oh mar...
estar sempre ao pé de ti,
tanto em dias revolvidos
como em dias de setim.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Se eu pudesse, oh mar...
estar sempre ao pé de ti...

terça-feira, dezembro 06, 2005

O Mar

O mar trás e leva o susurro de longe
A maresia cheira e não cheira a um odor que não sei


A melodia dos dias espraia-se com as ondas
Um dia vai... um dia vem... outro dia não


Vem ecoar-me na cabeça...
Quando parece que se esquece o coração


O mar adormece mas não esquece, não
Acorda de repente e acorda-me a visão
Adormecida, entorpecida...
Que serena, abre os olhos, esperguiça-se e sorri


http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/waterhouse/destiny.jpg

domingo, dezembro 04, 2005

Espírito dormente

O meu espírito está dormente
Agitado e desorientado pelos sonhos
Anestesiado pelos sonos

O meu corpo mal se sente
Leve e lento como se não o tivesse
mecanizado pelas obrigações

As minhas horas estão trocadas
A minha memória revolve-se
Ao som da música do mundo, das guitarra
De um bar que existiu a noite passada

Onde me trocavam a identidade
Onde me escondia e aconchegava
Com uma irmã de muitos anos
Evolta em vozes suaves

Que enchiam a sala
Que nos preenchiam as ausências
Dos tempos que não passamos
E daqueles longínquos que passámos
Esperando voltar às vidas separadas

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Da Branca negra para a Negra branca

Que sentimento grande amiga
Que consome e dá força
Que nos esboça sorrisos
Que nos alaga em lágrimas
Num choro imóvel e silencioso

Quem será que chama?
Será o sangue ou a saudade
Não há morte nem eternidade
Que apague esta chama

As lágrimas vão surgir sempre

Sempre que vires esta terra
De que estás apartada

Sempre que um cheiro, um sabor, uma cor
Te despertarem os sentidos e o sentir
A lembrança vai sempre sorrir-te no rosto

PS - É para ti, Fatinha.

Selvageria

Boom!
E a minha cabeça explode, não me conformo...
As palavras saltam como o milho em óleo a ferver
Mas eu não me conformo

Eu queria que fossem números e raízes
Potências e diferenciais
Queria sistemas e equações
Queria a euforia de deduzir
De me abstraír de tudo e mudar de frequência

A minha mente é uma selvageria
Não há regra que não se apague
Os sinais perdem-se pelo caminho
Perde-se o que soube e o que não vou saber

A selvageria das palavras não
É bonita e libertadora
Quando expressa esta confusão
Esta que quem lê sente que entende
Mas na verdade, talvez não

Mad Dog

Mad dog, little dog
sorrounded by the madness of this world

Hound dog, beaten up dog
silent observer, silent absorver
invisible viewer of the blind crowd

Mad dog, quiet dog
wild, homeless creature rambling around

A morte é a curva da estrada, Fernando Pessoa

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa,

Cancioneiro

O amor é uma companhia, Alberto Caeiro

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro
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