sábado, outubro 29, 2005

O Céu de Outono

O céu de Outono é peculiar,
As nuvens parecem manadas em migração.
Quando olho, sinto que sempre esteve lá.
Faz-me sorrir e dá a sensação de regressar.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Sonho

E nesse dia acordei feliz...
Feliz porque voltei a recordar.
Vi o cavalo alado dos sonhos,
era mais branco q a Lua
e pude-lhe tocar.
Olhou-me com os seus olhos grandes,
De um azul mais azul que o céu.
Encostou a sua testa à minha
E tudo o q em mim era desespero, desapareceu.
Foi uma sensação difícil de descrever,
algo q nunca pensei conceber...
Sentia-me como se durante séculos tivesse vagueado
e tudo de bom q me tinha sido privado
num instante ele me devolveu.
Desde então a escuridão terminou,
as noites voltaram a ter vida.
Voltei a lembrar-me dos sonhos q sonho,
mas ele nunca mais voltou...

terça-feira, outubro 25, 2005

Faial




Saber sabe a sempre
A sempre ter de ti
Uma visão com alma
De entre as mais preciosas
Aquelas guardadas
Dentro do que não tem tempo
Entre a terra que brota, o mar e o vento...

quinta-feira, outubro 20, 2005

Totós



Quanta coisa na mente desarrumada

Espera pelo equilíbrio de outra opinião

Mas há sempre uma companheira de estrada

À espera de nos estender a mão.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Rosas do Deserto

Um dia, longe do tempo,
onde as Eras eram distantes,
dançavam o pai Ar e a mãe Humidade.
Ao longe, por trás do vento,
escondiam-se os filhos amantes,
tentando ocultar a verdade.
Infelizes a Terra e o Céu,
mesmo separados e protegidos pelo pai Ar
afastados da ira e desconfiança do rei Sol,
e envolvidos pela mãe Humidade no seu véu
tudo tentavam contornar.
Até que um dia, o Sol se apercebeu...
Tomado por um ódio febril,
furioso, porque o Céu era seu,
Secou o Céu e fez a Terra tão estéril,
que doente, diante do Céu desfaleceu.
O Ar e a Humidade mergulharam numa grande depressão.
Chorou as últimas gotas que lhe restaram,
o Céu, quando viu a Terra de perto,
eram aquelas que lhe vinham do coração.
E, quando no corpo árido da Terra tocaram,
o amor tomou forma e brotaram as rosas do deserto.
PS - A explicação geológica é mais credível, mas no tempo dos Egipcios gostavam de dar outro ênfase às coisas;)

quarta-feira, outubro 12, 2005

THE MUMMERS' DANCE, Loorena McKennitt


"We've been rambling all the night
And some time of this day
Now returning back again
we bring a garland gay"
Lyric and music by Loreena McKennitt

Mitos: Isis, mãe de Hórus - Maria, mãe de Jesus



"Na Natureza nada se perde, tudo se transforma."

Ela vem
Vem de onde vem o mistério
De onde o rio dá vida ao vazio
Ela é mãe
Os filhos dos deuses e o filho de Deus
Os do disco solar e o da auréola celestial
Nasceram onde as pirâmides tocam os céus

Sensações


Houve um dia alguém que teve a sabedoria de explicar
Que aquilo que toca os outros quando cantamos
Não são as palavras que entoamos
Mas sim as sensasões que com a melodia conseguimos provocar

Há mais na música do que sons
Talvez haja pó mágico a viajar nas vibrações
Que nos toca lá nos confins dos corações
E que faz nascer sentimentos bons

Mas o que é que há de mágico nas palavras que escrevo?
Onde, como e a quem chegam elas?
Que milagres fazem, que eu não percebo?

Não é certamente a sua forma ou a sua cor
Porque nem todas as letras são belas
Mas todas elas sabem falar de amor.

terça-feira, outubro 11, 2005

O meu anel (chinês)

Eu tenho um dragão de prata
Que se enrola no dedo
Tem uma bola mágica
Que guarda um grande segredo

segunda-feira, outubro 10, 2005

Marcha dos Desalinhados

"Ninguém sabe aonde eu vou,
Ninguém manda em quem eu sou.
Sem cor, nem Deus, nem fado,
Eu estou desalinhado."

Delfins
Letra/Música: Miguel Angelo e Fernando Cunha
Album: Desalinhados, 1990

quinta-feira, outubro 06, 2005

O Tempo Que Passa

Quantos de nós não escrevemos, ou não temos vontade de escrever «é mais um dia que passa e...», ou «são mais 8 (ou 12, ou 24) horas que passam e...»
O tempo passa e... :)
É como se os minutos fossem grãos de areia que não conseguimos prender na mão, ou água que flui e não se doma.
Mas neste mundo nada se deve prender, tudo merece ser livre e fluir, até mesmo o tempo que passa, por mais doloroso que seja.
O tempo sempre passou, mesmo antes de darmos por isso, talvez seja esse o problema, darmos pelo tempo passar deixa-nos ansiosos, ou porque tarda ou porque foge, porque não podemos voltar a trás... os "pontos sem retorno" dão-nos cabo dos nervos.
Mas como era o tempo em que não se dava pelo tempo passar? Seguramente muito menos organizado. Necessariamente o tempo é um meio de pôr ordem no caos, é só mais uma medida, assim como as medidas de volume, de peso e afins.
Se conseguissemos por momentos ver o mundo sem tempo, assim como quando vêmos o mar, sem pensar que profundidade tem, ou se o volume de água é sempre o mesmo, talvez a nossa mente pudesse descançar.
Porque na verdade, tudo é infinitamente finito, as águas do rio vão sempre correr para o mar, o Sol há-de sempre ir e voltar, a Saudade vai sempre nascer e acabar.
Eu não vou correr, vou ficar aqui a olhar.

Converter ou não converter...

Aquelas que gostam de mim
gostavam de converter-me ao Deus delas
para que me iluminasse e me guiasse
por um bom caminho

Aqueles que me dizem que gostam de mim
gostavam de converter-me ao coração deles
para que me iluminasse e fosse normal
como as que encontro pelo caminho

quarta-feira, outubro 05, 2005

Há dias assim

Há dias assim
em que me encontro ávida de escrever

não são todos
é um ímpeto que vem quando quer

nem sem bem o quê
só sinto letras a quererem saír dos dedos

nada de concreto
não são desvarios não são medos

é só vontade
algo irreconhecível indizível e abstracto

talvez às mensagens
para terem verdadeiro sentido falte tacto

talvez nas frases
nem sempre caiba tudo o que queremos

fica o remanescente
o que palpita mas que não reconhecemos

se as palavras existem
que lhes seja então dada a utilidade devida

o demais importante
sem explicação literária até agora concebida

que nelas se guarde
que aguarde a chave da inclusa mensagem

sem idade
que se mostra perto do horizonte como miragem.

terça-feira, outubro 04, 2005

As Palavras...

As palavras que escrevo
não trazem aquilo que digo,
nem o som, nem o sorriso, nem o sentido,
nem o olhar curioso e confundido.
Não correm nem param,
não se vê euforia nem cansaço,
nem expressões do rosto nem gestos que faço,
apenas pensamentos escondidos neste espaço.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Dante's Prayer, Loreena McKennitt

"Cast your eyes on the ocean, cast your soul to the sea,
When the dark night seems endless
Please remember me."

Seria Lindo

Seria lindo
Quem sabe um dia
Desses não definido
Acorde com o cheiro da maresia
E o som do mar no meu ouvido.
Partilhar